O cenário partidário brasileiro em 2025 revelou movimentações relevantes no número de filiados e confirmou uma reconfiguração gradual das forças políticas desde as eleições de 2022.
Entre as legendas com maior número de filiados no país, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) mantém a liderança, com cerca de 2,06 milhões de integrantes. Na sequência apareceu o Partido da República (PRO), com 1,67 milhão, e o Progressistas, com aproximadamente 1,32 milhão.
Também figuram entre os dez maiores o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o União Brasil, o Partido Liberal (PL), o Podemos, e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), consolidando um quadro ainda marcado por forte fragmentação partidária.
Perdas e ganhos após 2022
O período pós-eleitoral trouxe variações expressivas. O PRO foi o partido que mais perdeu filiados entre outubro de 2022 e março de 2025, com redução superior a 64 mil registros. O PSDB, o Cidadania, o MDB e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) também registraram retração.
Na outra ponta, o PL liderou o crescimento no mesmo intervalo, com mais de 137 mil novos filiados. Também apresentaram avanço o Republicanos, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Social Democrático (PSD), o Avante, além do PSB e do Progressistas.
Os dados reforçam que, embora o número absoluto de filiados ainda seja alto em siglas tradicionais, o dinamismo político recente tem favorecido partidos que ampliaram protagonismo no Congresso e nas disputas majoritárias.
Brasil lidera ranking de custo com parlamentares
Além das movimentações partidárias, estudos conduzidos pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da University of Southern California, apontaram que o Brasil ocupa a primeira posição mundial em gastos proporcionais com parlamentares.
Até 2022, o custo anual estimado por deputado ou senador girava em torno de R$ 24,7 milhões, considerando orçamento do Legislativo dividido pelo número de parlamentares e comparado à renda média da população.
À época, o salário parlamentar era de R$ 33,7 mil. Atualmente, o vencimento bruto chega a R$ 46.366,19 aumento de 37,7% em três anos. Para efeito de comparação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio real habitual do brasileiro alcançou R$ 3.560 ao final de 2025, o que coloca a remuneração parlamentar mais de 12 vezes acima da média nacional.
O levantamento comparou 33 democracias e indicou que o orçamento anual destinado à manutenção dos parlamentares brasileiros representa 528 vezes a renda média da população o maior índice entre os países analisados.
Emendas ampliam volume de recursos
Desde a divulgação do estudo, os valores empenhados com emendas parlamentares cresceram. Em 2025, foram pagos aproximadamente R$ 47 bilhões, o equivalente a 67% do total empenhado, que alcançou R$ 48,5 bilhões próximo ao limite inicialmente autorizado no Orçamento da União, estimado em R$ 50 bilhões.
O conjunto de dados reforça o debate sobre financiamento político, eficiência do sistema partidário e proporcionalidade entre custo institucional e renda média da população, temas que devem seguir no centro das discussões públicas nos próximos anos.

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