A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (16), uma nova fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, com foco na apuração de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado integrantes do Comando Vermelho. A ação resultou na prisão do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
Segundo as investigações, o magistrado é suspeito de repassar dados confidenciais relacionados a uma operação policial realizada em setembro, que teve como alvo Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias. O desembargador atua como relator do caso no TRF-2. A suspeita de vazamento teria sido identificada a partir de mensagens encontradas no celular do deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), apreendido durante a primeira fase da investigação.
Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão nesta etapa da operação. Ele chegou a ser preso anteriormente, mas foi liberado após decisão do plenário da Alerj, passando a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A Operação Unha e Carne apura a participação de agentes públicos em ações que teriam comprometido o andamento de outra investigação federal, no âmbito da Operação Zargun, também deflagrada em setembro. Nesta fase, foram cumpridos um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências se estenderam ao Espírito Santo.
TH Joias segue preso por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
Histórico do magistrado
Macário Ramos Júdice Neto retornou à magistratura em 2023, após um afastamento de 17 anos motivado por denúncias envolvendo sua atuação como juiz federal no Espírito Santo. Em 2005, ele havia sido afastado por decisão do TRF-2 em processo que investigava possível envolvimento em esquema de venda de sentenças. Atualmente, o desembargador permanece custodiado na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
No contexto da investigação, também foi informado que a esposa do magistrado, Flávia Júdice, atuava no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o mês passado, período em que a apuração envolvendo o ex-deputado estadual já estava em andamento.
