Um levantamento realizado pela FGV Cidades aponta que a adoção de um sistema de transporte sob demanda nas regiões periféricas de São Paulo pode transformar a mobilidade urbana. A pesquisa analisou a área ao redor da nova estação Varginha, na zona Sul da capital, e mostrou que a integração entre o transporte sob demanda e a rede de ônibus e trilhos poderia reduzir significativamente o tempo de espera dos usuários e otimizar os trajetos diários.
De acordo com a simulação, o novo modelo teria potencial para diminuir em até 50% o tempo de espera e reduzir em cerca de 30% o percurso a pé entre a casa do passageiro e o ponto de embarque. Essa melhoria seria especialmente sentida nas chamadas “primeira e última milhas” trechos mais longos e desgastantes da rotina de quem vive longe dos eixos de transporte.
A proposta segue uma tendência já adotada em grandes metrópoles como Helsinque, Seul e Singapura, onde o uso de dados em tempo real e frotas flexíveis permite criar conexões mais ágeis com os sistemas tradicionais. O objetivo não é competir com o transporte coletivo convencional, mas complementá-lo, ampliando o alcance e a eficiência do serviço público.
Mesmo com uma frota simulada de apenas 200 veículos, o transporte sob demanda atenderia a uma pequena fração das viagens diárias cerca de 4%, mas com alto impacto na qualidade do deslocamento e na confiabilidade do sistema.
Para os pesquisadores, o estudo demonstra que soluções inteligentes e planejadas podem gerar ganhos expressivos com baixo custo operacional. A inovação, afirmam, não está em substituir o que existe, mas em integrar melhor o que já funciona.
