Ir à praia no Brasil continua sendo um programa democrático — pelo menos até alguém perguntar o preço da cadeira. A partir daí, o banho de mar vira experiência premium e o turista descobre que sentar na areia pode custar quase o mesmo que uma diária em hotel.
O debate ganhou força nas redes sociais após um episódio envolvendo visitantes em Porto de Galinhas, em Pernambuco, mas bastou a poeira baixar para surgirem relatos semelhantes de Norte a Sul do país. O roteiro se repete: praias lindas, mar convidativo e uma surpresa nada refrescante na hora de pagar pelo básico.
No Nordeste, Alagoas e Pernambuco aparecem com destaque nas reclamações. Porto de Galinhas já virou referência quando o assunto é cobrança considerada fora da realidade. Do lado alagoano, destinos disputados como São Miguel dos Milagres, além das praias do Francês e do Gunga, entram na lista onde o turista precisa escolher entre tomar sol em pé ou abrir bem a carteira.
E não se trata de exclusividade nordestina. Nos comentários das redes sociais, há registros de valores igualmente “criativos” em praias do Sudeste e do Sul. Tem quem relate R$ 150 por pequenas porções de comida e até R$ 200 apenas para garantir uma sombra amiga. Em Arraial do Cabo e Balneário Camboriú, a lógica parece ser simples: quanto mais bonito o cenário, mais ousado o preço.
Em Alagoas, o Ministério Público decidiu que a maré passou do limite e determinou fiscalização nas praias de Maceió, diante de denúncias de que barracas estariam tratando a faixa de areia como se fosse quintal particular, com direito a tabela de preços própria.
Já em Pernambuco, além da discussão sobre valores, o caso de Porto de Galinhas ganhou contornos mais graves, com a identificação de pessoas envolvidas em um episódio de violência contra turistas após desentendimento comercial. A governadora Raquel Lyra classificou a situação como inadmissível e garantiu responsabilização.
No fim das contas, o turista aprende rápido a nova regra não escrita do litoral brasileiro: a praia é pública, o mar é livre, mas a sombra, a cadeira e até o pastel parecem ter sido promovidos ao status de artigo de luxo.
FONTE/CRÉDITOS: Redação
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