Nada como um São João para mostrar quem dança conforme a música — e quem não foi convidado para o baile. Durante os festejos juninos em Maceió, o presidente da Câmara Municipal, Chico Filho, descobriu da pior forma possível que o prestígio do seu cargo não é aceito como ingresso para o camarote do prefeito JHC.
O constrangimento foi público, notório e, claro, registrado por todos os olhares curiosos: Chico tentou entrar no camarote VIP do prefeito, mas foi barrado na porta, sem cerimônia. Alegaram superlotação e uma recomendação do Corpo de Bombeiros. Mas, entre nós, nem precisa ser especialista em segurança para entender que o espaço estava cheio — só não tinha mais lugar para vaidades infladas.
Mesmo após acionar a Secretaria de Governo, Chico foi mantido do lado de fora, acompanhado de alguns colegas vereadores igualmente desautorizados. A tentativa de fazer valer a "autoridade" do cargo acabou virando piada de bastidor. Afinal, se o presidente da Câmara não entra, quem entra?
A cena é mais do que um episódio embaraçoso. É um retrato fiel da atual hierarquia política em Maceió, onde o Legislativo parece ter virado um anexo decorativo do Executivo. A Câmara, que em tese deveria fiscalizar o prefeito, hoje parece disputar fila para agradá-lo — e nem isso tem garantido acesso irrestrito aos espaços de poder (ou de festa).
Vale lembrar que a ascensão de Chico à presidência da Câmara foi menos fruto de articulação parlamentar e mais resultado direto de uma canetada vinda do próprio prefeito. Em poucos dias, JHC atropelou um acordo político de meses e emplacou seu nome de confiança. Desde então, a Câmara segue firme... na sua irrelevância.
Enquanto isso, o prefeito segue no camarote, brindando com aliados e conduzindo a política local como quem comanda o som no arraial: só toca o que ele quer. E Chico Filho, agora, sabe bem disso — afinal, foi ele quem ouviu a marchinha do lado de fora.
