O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (9) abrir o placar da condenação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e do hacker Walter Delgatti Neto, em mais um capítulo da novela político-cibernética brasileira. Em votação no plenário virtual da Corte — aquele ambiente em que ministros julgam de casa, no conforto do Wi-Fi —, Moraes votou pela condenação da dupla pelos ataques aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os demais ministros têm até sexta-feira (16) para registrarem seus votos eletrônicos, no que promete ser um veredito tão digital quanto o crime.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a trama não economizou criatividade: Zambelli teria encomendado a Delgatti um mandado de prisão... contra o próprio Alexandre de Moraes. Uma espécie de tiro no pé jurídico, disfarçado de documento oficial, que pretendia dar um verniz de legalidade a um suposto abuso de autoridade — ou, para os mais cínicos, uma tentativa de “prender” o ministro no papel.
A defesa da deputada, claro, pediu a absolvição, alegando que toda a acusação se apoia na palavra de Delgatti — um réu confesso, mas, segundo eles, pouco confiável. Já os advogados do hacker pintam um cenário mais direto: ele hackeou, sim, mas movido por uma promessa de emprego feita por Zambelli. Em outras palavras, invadiu o sistema não por ideologia, mas por uma vaga que nunca apareceu.
“Mandante intelectual”, chamam os defensores de Delgatti, destacando que ele colaborou com a investigação e entregou o roteiro completo do ataque digital. Agora, o hacker espera que sua confissão pese a favor na dosimetria da pena — ao passo que Zambelli tenta desvincular sua imagem da operação, num esforço que beira o impossível.
Enquanto o STF prepara o desfecho, uma certeza já se desenha: na disputa entre a deputada e o hacker, resta saber quem foi o mais ingênuo — ele, por acreditar na promessa de emprego, ou ela, por achar que um mandado fake derrubaria Moraes.
