A Câmara dos Deputados viveu mais um daqueles momentos em que o lobby falou mais alto que o interesse público. A Medida Provisória 1303/25, que pretendia taxar apostas esportivas e grandes aplicações financeiras para reforçar o caixa da União em R$ 17 bilhões no próximo ano, morreu antes de nascer graças, em parte, à generosidade de parte da bancada alagoana.
Dos sete deputados do estado, quatro decidiram dar uma “mãozinha” às casas de apostas, votando pelo adiamento da votação que matou a MP. Foram eles: Alfredo Gaspar (União-AL), Delegado Fábio Costa (PP-AL) e Marx Beltrão (PP-AL) além de outros colegas de plenário que, aparentemente, acreditam que o Brasil arrecada demais.
Na ala que resolveu manter-se ao lado do governo, tentando garantir a cobrança de impostos, ficaram Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), Luciano Amaral (PSD-AL), Paulão (PT-AL) e Rafael Brito (MDB-AL).
O resultado final 251 votos a favor do adiamento e 193 contra representou uma derrota expressiva para o governo e uma vitória sonora para o setor das apostas e do mercado financeiro, que seguirão tranquilos, sem pagar a conta.
A “derrubada” da MP teve a digital do Centrão e da bancada do agronegócio, que mostraram mais uma vez que, quando o assunto é proteger os bilionários, a articulação política funciona. O acordo previamente costurado pelo governo com os líderes partidários simplesmente evaporou, para alegria das Bets e dos bancos.
Entre os principais articuladores da derrota do Planalto estavam o presidente do PP, Ciro Nogueira, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, que parece já estar em campanha para 2026.
No fim das contas, o recado foi claro: no Brasil, o jogo pode até ser de azar mas quem aposta alto em Brasília raramente perde.
