Em um movimento que certamente será interpretado apenas como uma “reorganização administrativa de rotina”, a Defensoria Pública do Estado de Alagoas decidiu, nesta segunda-feira (4), fazer uma espécie de faxina no seu Núcleo de Proteção Coletiva justamente o setor que vinha liderando a defesa dos moradores afetados pela mineração da Braskem em Maceió.
O defensor Ricardo Antunes Melro foi exonerado da coordenação do núcleo e, de quebra, outros três defensores Lucas Monteiro Valença, Marcelo Barbosa Arantes e Daniel Coêlho Alcoforado foram retirados do órgão. Coincidência ou não, tudo isso acontece dias antes da audiência pública marcada para esta sexta-feira (8), no auditório do CESMAC, onde será apresentado um estudo técnico-científico inédito sobre a subsidência provocada pela Braskem, que afundou bairros inteiros da capital alagoana.
A justificativa oficial para as exonerações? Simples: não houve. O defensor público-geral, Fabrício Leão Souto, preferiu o silêncio institucional, talvez acreditando que em tempos de crateras e silêncio corporativo, o vácuo também seja uma forma de comunicação.
O curioso é que o núcleo esvaziado era justamente o responsável por dar visibilidade aos moradores dos Flexais, da Rua Marques de Abrantes e de outras regiões ainda invisíveis aos olhos das indenizações e realocações — que seguem como promessas em suspensão.
Apesar das baixas, a audiência pública da próxima sexta-feira continua confirmada. O relatório será apresentado às 10h, no auditório João Sampaio, do CESMAC. A população está convidada. A Braskem, a Defensoria e os interesses — velados ou não também devem comparecer. Afinal, o palco está armado.
Enquanto isso, a pergunta que fica no ar (além do cheiro de sal e lama) é: quem está protegendo quem?
