Enquanto Maceió enfrenta mais de 48 horas de chuvas intensas, com ruas alagadas, famílias desalojadas e bairros inteiros em completo abandono, a prioridade da Prefeitura parece ser outra: manter o sorriso no rosto, o cenário instagramável em dia e marcar presença onde realmente importa — na live do cantor Wesley Safadão.
Sim, você não leu errado. No meio de um temporal devastador, que escancarou décadas de descaso, o prefeito achou por bem aparecer alegremente em uma transmissão ao vivo do artista, cercado de influenciadores, flashes e elogios. Afinal, a cidade pode estar debaixo d’água, mas o marketing segue seco, brilhando e vendendo uma Maceió que só existe em outdoor.
A atual gestão está há quase quatro anos e meio no comando da capital. Tempo mais do que suficiente para mudar alguma coisa, se essa fosse realmente a intenção. Na Câmara, os fiéis escudeiros do prefeito – alguns há seis, sete mandatos – seguem obedientes, votando de olhos fechados nos projetos que mais agradam ao chefe do Executivo (e menos ao povo).
E como sempre, quando a tragédia vira manchete, lá vem a velha solução: maquiagem urbana. Uma pracinha arrumada, uma rua asfaltada às pressas, uma escola pintada para parecer nova. É o clássico “paliativo eleitoreiro”, que funciona melhor que qualquer antibiótico – pelo menos nas urnas. A cidade real, aquela que não aparece nas redes, continua esquecida, sem plano diretor, sem mobilidade urbana, sem política pública decente.
Mas calma, turista! Pode vir tranquilo: a orla tá linda, a festa tá garantida e o forró vai rolar solto. O povo das grotas, dos conjuntos, dos bairros sem drenagem, pode esperar. E esperar. E esperar. Porque, no fim das contas, o importante é mostrar que “Maceió é Massa” – desde que você não more na área de risco, claro.
Enquanto isso, os alagados rezam para a chuva parar e os helicópteros levantam voo levando quem pode sair do caos por cima. A população fica. O prejuízo fica. O abandono também. Mas olha… o story do prefeito ficou ótimo.
