As explosões realizadas pela Mineração Vale Verde, no Projeto Serrote, transformaram a paisagem de Craíbas em um cenário de incertezas. O que antes era rotina marcada apenas pelo barulho das detonações, agora se traduz em fissuras que avançam pelas paredes de centenas de residências.
Levantamentos apontam mais de 400 casas com danos estruturais, algumas em risco de desabamento. Moradores relatam perdas que vão além do patrimônio: lavouras comprometidas, animais mortos e noites de insônia diante do temor de novos tremores. A poeira gerada pelo processo de extração também tem afetado a saúde de crianças e idosos, agravando a sensação de abandono.
A pressão popular resultou em ações judiciais e na criação de uma comissão externa da Assembleia Legislativa de Alagoas para acompanhar o caso. O Ministério Público Federal também monitora a situação. A Defensoria Pública da União cobra da mineradora a instalação de sensores independentes para aferir os impactos.
A empresa, por sua vez, nega irregularidades e afirma seguir padrões internacionais de segurança, destacando que relatórios técnicos não confirmam riscos sísmicos. O impasse, porém, se mantém: de um lado, uma população que pede indenizações e condições dignas de moradia; de outro, uma companhia bilionária que defende a regularidade de suas operações.
Enquanto os processos se arrastam, Craíbas segue convivendo com um dilema que mistura medo, incerteza e o desejo de reconstruir a vida longe das rachaduras que marcam não apenas as casas, mas também a história da comunidade.
