Parece que, em Maceió, o serviço público resolveu adotar o velho ditado: "quem tem parente, tem tudo". Um suposto arranjo entre a Prefeitura da capital alagoana e a Caixa Econômica Federal vem chamando atenção não por inovação ou eficiência, mas por um curioso movimento de "trocas familiares" que beira a arte da coincidência planejada.
Segundo revelou a Folha de S. Paulo, o que está em jogo não é apenas a habilidade de nomear aliados, mas de fazer isso com sofisticação: enquanto funcionários da Caixa vão parar em cargos comissionados na Prefeitura, parentes de figuras da gestão municipal surgem, como quem não quer nada, em funções estratégicas dentro da Caixa. Um verdadeiro “intercâmbio administrativo-afetivo”.
A prática tem nome — nepotismo cruzado — e sobrenome: proibição. A Súmula Vinculante nº 13 do STF proíbe esse tipo de cruzamento entre órgãos públicos, ainda que os envolvidos insistam em dizer que tudo é absolutamente técnico. Técnicos, talvez, em driblar princípios básicos da moralidade pública.
Juristas alertam que esse tipo de parceria entre entes públicos fere mais do que a lógica do concurso público: abala os alicerces da impessoalidade e do interesse coletivo. Afinal, quando os laços sanguíneos falam mais alto que o currículo, o contribuinte fica com a conta — e sem a meritocracia.
Agora, com a repercussão crescendo, os holofotes se voltam para órgãos de controle como o Ministério Público e o Tribunal de Contas. A expectativa é que, mais do que contar quantos sobrenomes coincidem entre os dois lados, as investigações revelem se essa troca de favores rendeu vantagens indevidas — ou se tudo não passou de um simples gesto de "amizade institucional".
Enquanto isso, na Maceió das boas relações, a administração pública segue funcionando como um grande almoço de domingo: lugar cativo para toda a família.
