Com a temperatura elevada no cenário político de Arapiraca, Célia Rocha decidiu mirar suas críticas em Luciano Barbosa e resgatar uma história que, aparentemente, ficou guardada em alguma gaveta do passado. Segundo ela, o atual prefeito só teria chegado onde chegou graças ao seu apoio. Na política, como se sabe, a memória costuma ser seletiva principalmente quando antigas alianças deixam de ser convenientes.
Durante anos, Célia Rocha esteve ao lado de Luciano Barbosa, apoiando sua trajetória política e participando de articulações do grupo. Também esteve na campanha de Daniel Barbosa, filho do prefeito, na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Agora, porém, a relação parece ter virado página e, pelo tom das críticas, com direito a rasgar o capítulo anterior.
O discurso de que foi responsável pela ascensão de Luciano Barbosa contrasta com outro detalhe da própria trajetória. Nas últimas campanhas para deputada federal, Célia Rocha conquistou o mandato, mas permaneceu apenas dois anos no cargo antes de optar pela disputa à Prefeitura de Arapiraca.
A passagem pela Prefeitura também não ficou livre de críticas. A gestão enfrentou problemas e cobranças envolvendo educação, pagamentos, infraestrutura e questões financeiras. Para quem conhece a política de Arapiraca, vender aquela administração como um capítulo de grande sucesso seria, no mínimo, uma tarefa bastante criativa.
Mas existe um detalhe curioso na trajetória política de Célia Rocha: a aparente preferência por alianças com nomes de fora de Arapiraca. No passado, ela também apoiou Fernando Collor em disputas eleitorais no município. Agora, anos depois, volta a apostar em uma composição que envolve João Caldas Filho e, possivelmente, Flávio Bolsonaro.
Coincidência ou padrão político? Fica a pergunta para o eleitor.
A escolha por João Caldas Filho já provoca questionamentos em Arapiraca e no Agreste. A aproximação com um candidato que, segundo seus críticos, não possui presença política consolidada na região levanta outra questão: enquanto Célia Rocha se apresenta como uma figura profundamente ligada à cidade, por que suas principais apostas eleitorais continuam passando por nomes de fora?
E a situação pode ganhar um novo capítulo nesta terça-feira, com a presença de Flávio Bolsonaro em Arapiraca. Caso Célia Rocha apareça no mesmo palanque ao lado de Flávio Bolsonaro e João Caldas Filho, a fotografia poderá dizer mais do que muitos discursos.
A aparição dos três juntos poderá ter repercussão negativa para Célia Rocha em Arapiraca e em parte do Agreste, principalmente se o eleitor interpretar a aliança como mais uma tentativa de buscar força política fora dos grupos tradicionalmente ligados à região.
E aí surge a ironia: quem gosta de reforçar suas raízes arapiraquenses poderá ser vista novamente ao lado de nomes que precisam construir uma relação mais forte com o eleitorado local. É muita paixão por “forasteiros” para quem pretende se apresentar como representante legítima da terra.
Célia Rocha já teve protagonismo, influência e espaço político em Arapiraca. Mas o cenário mudou. Depois de anos de alianças, disputas e mudanças de lado, a tentativa de retornar ao centro do palco pode acabar produzindo o efeito contrário.
Se a intenção é recuperar protagonismo, o palanque desta terça-feira será um teste. E, dependendo da reação das ruas, a fotografia com Flávio Bolsonaro e João Caldas Filho pode acabar funcionando menos como trampolim político e mais como um retrato de uma fase em que Célia Rocha tenta voltar ao jogo apostando, mais uma vez, em nomes de fora de Arapiraca.

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