O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) decidiu, por unanimidade, manter as condenações de três policiais militares e de uma ex-policial acusados pela morte, tortura e ocultação do cadáver de Davi da Silva, de 17 anos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (23), durante o julgamento de recursos apresentados pelas defesas.
Davi desapareceu em 25 de agosto de 2014, após ser abordado por policiais no bairro Benedito Bentes, em Maceió. Desde então, o corpo do adolescente nunca foi localizado.
A Segunda Câmara Criminal do TJ-AL negou provimento às apelações e manteve as condenações estabelecidas anteriormente pelo Tribunal do Júri. Os réus também permanecem condenados pela tortura de Raniel Victor, então com 19 anos, que estava com Davi no momento da abordagem.
As condenações envolvem os crimes de cárcere privado, sequestro, ocultação de cadáver, homicídio qualificado e tortura. Juntas, as penas ultrapassam 100 anos de prisão.
Penas mantidas pela Justiça:
Eudecir Gomes de Lima: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão;
Carlos Eduardo Ferreira dos Santos: 24 anos, 4 meses e 13 dias;
Nayara Silva de Andrade: 24 anos, 4 meses e 13 dias;
Victor Rafael Martins da Silva: 23 anos, 4 meses e 24 dias.
Todos deverão cumprir inicialmente as penas em regime fechado. Eudecir, Carlos Eduardo e Victor Rafael também perderam os cargos de policiais militares.
Nayara, que posteriormente ocupava o cargo de auditora do Tribunal de Contas do Estado (TCE), perdeu a função pública e ficou impedida de exercer cargo público.
Onze anos de busca pelo filho
O desaparecimento de Davi marcou uma longa trajetória de buscas e mobilizações da família. Durante anos, a mãe do adolescente, Maria José da Silva, procurou órgãos públicos e participou de iniciativas para tentar localizar o filho e cobrar a responsabilização dos envolvidos.
Em novembro de 2014, cerca de dois meses após o desaparecimento de Davi, Maria José sofreu um atentado enquanto estava em um ponto de ônibus nas proximidades do Mercado da Produção, no bairro da Levada. Aminab da Silva, de 34 anos, fugiu após o ataque, mas foi preso posteriormente.
A mãe morreu em 12 de dezembro de 2025, aos 68 anos, sem conseguir acompanhar o julgamento dos acusados e sem saber onde estava o corpo do filho.
Durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, o pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, acompanhou os dois dias de sessão e chegou a passar mal. Após a condenação, afirmou estar satisfeito com a decisão, mas lamentou que o corpo do filho ainda não tivesse sido encontrado.
A família continua sem a localização dos restos mortais de Davi, mais de 12 anos após o desaparecimento.



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