A Justiça Eleitoral determinou a suspensão da atuação de cinco empresas de comunicação apontadas em uma ação que investiga possível uso de rádios, sites e perfis nas redes sociais para favorecer a candidatura de João Caldas Filho (PSDB) ao Governo de Alagoas e promover ataques a adversários políticos.
A medida envolve a Fundação Quilombo, Alagoas Comunicação, Rádio Paraíso, Agora Alagoas e LBA/T82. Segundo a ação, os veículos teriam sido utilizados de maneira considerada desproporcional na cobertura da disputa eleitoral, com produção e divulgação de conteúdos favoráveis ao candidato e críticas direcionadas a concorrentes.
No caso das emissoras de rádio, a situação ganha um componente adicional: parte dos veículos opera mediante concessões ou permissões públicas. A legislação eleitoral estabelece restrições para que emissoras não sejam utilizadas de forma privilegiada em benefício de determinada candidatura.
A ação também questiona a concentração de diferentes outorgas dentro de uma mesma estrutura de comunicação. São 15 outorgas de rádio e televisão, pertencentes formalmente a três titulares, que, segundo a investigação, estariam integradas a uma mesma rede, denominada “Francês FM”.
Em julho de 2026, João Caldas Filho passou a deter 70% da Alagoas Comunicação, empresa apontada como controladora da rede. Os outros 30% pertencem ao seu pai, o ex-deputado João Caldas, que também aparece como proprietário da Rádio Paraíso e instituidor da Fundação Quilombo.
Outro ponto levantado pela ação envolve a composição da Fundação Quilombo. Conforme os autos, 13 dos 14 dirigentes do grupo teriam sido nomeados para cargos na Prefeitura de Maceió durante a gestão de João Caldas Filho, encerrada em abril deste ano. Nove dessas nomeações, segundo a investigação, teriam sido feitas diretamente por ele.
A relação entre integrantes das empresas de comunicação e o grupo político também aparece em outros episódios. Dirigentes ligados à T82 e à Agora Alagoas teriam mantido vínculos com o gabinete de J durante o período em que ele exerceu mandato de deputado federal.
A disputa não é a primeira em que veículos ligados ao grupo entram no radar da Justiça Eleitoral. Algumas das empresas citadas já foram alvo de decisões no pleito de 2022 por suposto favorecimento eleitoral, ocasião em que tiveram a programação suspensa durante o segundo turno.
Em 2026, segundo a ação, páginas e veículos associados ao grupo já acumularam nove condenações relacionadas à divulgação de conteúdos considerados falsos pela Justiça Eleitoral.
A nova decisão coloca novamente no centro do debate o papel dos meios de comunicação durante uma eleição. Afinal, em uma campanha eleitoral, rádio, site e rede social podem informar mas, quando a cobertura passa a ser questionada judicialmente por possível favorecimento de um candidato, a linha entre jornalismo, opinião e propaganda eleitoral começa a ficar bem menos confortável.
E, pelo visto, a Justiça Eleitoral resolveu apertar o botão de “silenciar” antes que a disputa pelo Governo de Alagoas virasse também uma disputa pelo controle do microfone.

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