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Quinta-feira, 30 de Abril 2026

Cultura

Entre ondas e versos: novo livro de Alexandre Câmara reflete 40 anos de caminho literário

Livro será lançado em julho e reúne textos escritos entre 2023 e 2025, com olhar político e amoroso sobre o mundo, o corpo e o tempo

Maceió Notícias
Por Maceió Notícias
Entre ondas e versos: novo livro de Alexandre Câmara reflete 40 anos de caminho literário
Ascom Alexandre Câmara
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O jornalista e poeta Alexandre Câmara lança, em julho, o livro O Mar Salva Mas Afoga — uma obra densa e íntima que atravessa quatro décadas de escrita poética e marca sua estreia no mercado editorial impresso. Os exemplares já estão com o autor, e o lançamento está previsto para acontecer em meados de julho, com data e local a serem confirmados até o início da próxima semana.

 

Reunindo poemas escritos entre 2023 e 2025, o livro sintetiza o que Câmara considera sua fase mais madura, tanto em termos estéticos quanto políticos. São textos que falam de amor, desejo, pertencimento e memória, mas também de crítica ao capitalismo neoliberal e de uma proposta insurgente: a construção de um sistema global de unificação das esquerdas, como resposta ética à crise civilizatória.

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> “Este livro não é só afeto. Ele também é denúncia. É recusa ao sistema. É travessia. É o gesto de quem escreve porque precisa sobreviver — mas também para que outros possam imaginar o que ainda não nasceu”, afirma o autor.

 

A gênese do livro e o nascimento do poema

Em nota reflexiva que acompanha a obra, Alexandre revela como nasce sua poesia:

“O poema vem do âmago. Ele nasce de uma inquietação que não cabe numa conversa, nem no jornalismo, nem nas tarefas do cotidiano. É um pensamento íntimo demais para virar fala — e só encontra abrigo na palavra poética.”

 

A motivação, segundo ele, vem do cotidiano, mas o poema exige mais que inspiração:

 “Poesia é dedicação, pesquisa, técnica, reescrita. É ritmo, sinuosidade, leitura crítica de si mesmo. Como dizia Tom Jobim, minha musa inspiradora é o prazo de entrega. E isso é real.”

 

Com influências que vão de Nietzsche à geração Beat (Allen Ginsberg, Kerouac, Burroughs), Alexandre construiu uma escrita visceral, confessional, política e, acima de tudo, com vocação para durar.

 “Poemas são filhos que não morrem. São fragmentos da alma que seguem vivos, mesmo quando a voz se cala.”

 

Amor maduro, crítica global e permanência

Embora o amor seja uma base constante, O Mar Salva Mas Afoga não se entrega à idealização romântica. Segundo o autor, os poemas de amor presentes na obra são marcados por um olhar distanciado — o amor visto por quem sobreviveu a ele.

 

 “Hoje, aos 57 anos, não deliro com paixonites. Eu olho para os amores que vivi como quem olha para fotografias de um outro tempo. Esse livro fala do amor vivido, ferido, curado. Do corpo que se basta. É um relato, não um delírio.”

 

Ao lado dos afetos, o livro também atua como manifesto político-poético. Entre os poemas está A Travessia, texto que propõe um sistema político alternativo, com base na união internacional das esquerdas, na reconstrução simbólica dos territórios e no enfrentamento do extrativismo neoliberal.

“Essa é a proposta: imaginar o que vem depois do colapso. Unir o que a lógica fragmentou. Escrever um novo mundo — e fazer disso uma prática possível.”

Produção independente, acabamento editorial refinado

O Mar Salva Mas Afoga é uma coletânea autoral de poemas escritos entre 2023 e 2025. A primeira edição, lançada em junho de 2025, tem produção de Sam Buarque, com fotografia de Paulo Bezerra, capa e diagramação de Carlos Fabiano Costa Barros (pela DTT Editora CBA) e impressão realizada pela Gráfica Jaraguá.

 

A escolha por uma apresentação editorial tradicional, com acabamento refinado e visual realista, traduz o desejo do autor de lançar uma obra de permanência — pensada como testemunho afetivo e político de uma geração.

Uma voz do Sul Global que se firma no tempo

 

O Mar Salva Mas Afoga é mais do que um livro de estreia: é a consolidação de uma trajetória. Alexandre Câmara, que atuou como assessor político, roteirista de campanhas históricas em Alagoas e jornalista cultural, firma-se agora como uma voz poética do Sul Global, com uma escrita que une crítica social, lirismo e memória coletiva.

 

“Não escrevo para adornar a realidade — escrevo para sulcá-la até sangrar.”

 

Com 40 anos de poesia e uma vida dedicada à palavra, Câmara apresenta ao público um livro que não se contenta em emocionar. Ele provoca, denuncia, acalenta — e permanece.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
Maceió Notícias

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