Deputados franceses protagonizaram um intenso debate sobre a qualidade da carne do Mercosul, especialmente a brasileira, durante sessão na Assembleia Nacional da França nesta terça-feira (26).
Em meio à votação simbólica do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que foi amplamente rejeitado, os parlamentares questionaram os padrões de produção, a rastreabilidade e as práticas sanitárias das exportações sul-americanas.
O deputado Vincent Trébuchet (UDR) foi contundente ao afirmar que “nossos pratos não são latas de lixo”, em referência à carne brasileira. O discurso, repercutido nas redes sociais pelo próprio partido, destacou preocupações com o uso de hormônios de crescimento e a falta de rastreabilidade nos produtos exportados pelo Brasil.
Trébuchet também citou uma auditoria da Comissão Europeia que apontaria falhas do país no cumprimento de normas sanitárias, elogiando apenas o Uruguai pela capacidade de garantir a rastreabilidade.
Outros deputados reforçaram as críticas. Helene Laporte, do Rassemblement National, acusou o Brasil de basear sua competitividade no “uso massivo de antibióticos”, prática proibida na União Europeia há quase duas décadas.
Já Antoine Vermorel, da Droite Républicaine, classificou os métodos do Mercosul como “perigosos” e disse que a carne exportada utilizaria “produtos cancerígenos”.
O debate revelou as crescentes tensões entre os interesses comerciais do Mercosul e as políticas de proteção à agricultura local na Europa, colocando a carne brasileira no centro das controvérsias sobre padrões de qualidade e concorrência desleal.
