Entre tapas e beijos, a política alagoana vem mostrando o que há de pior nas tradicionais famílias que dominam o cenário político. A senadora Eudócia Caldas, mãe do ex-prefeito de Maceió JHC e esposa de João Caldas das ambulâncias. é um dos nomes que frequentemente aparecem nesse contexto.
Até pouco tempo atrás, a relação da família Caldas com Renan Calheiros e Renan Filho era marcada por gestos de cordialidade, declarações públicas de apoio e frequentes encontros em Brasília. Havia interesses em comum, entre eles a tentativa de fortalecer a indicação de uma integrante da família para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Viagens, reuniões e demonstrações de proximidade tornaram-se constantes.
Em um evento realizado em Ibateguara no ano passado, em 2025, cidade natal de Eudócia e João Caldas, ambos ex-prefeitos do município, foi possível observar mais uma vez essa aproximação. Sentados lado a lado com Renan Calheiros e Renan Filho, os grupos trocaram conversas, sorrisos e elogios. No entanto, o clima não foi de unanimidade. Quando o nome de Eudócia foi anunciado para discursar, parte do público reagiu com vaias, demonstrando que a população mantém suas próprias avaliações sobre gestões passadas e a trajetória política dos envolvidos.
A falsidade na política não é novidade. Como dizia o saudoso Leonel Brizola: "A política ama a traição, mas odeia o traidor." A frase parece se encaixar em muitos episódios da política alagoana, especialmente nos últimos anos, marcados por alianças improváveis e rompimentos igualmente surpreendentes.
Nas últimas semanas, por exemplo, o clima amistoso deu lugar a uma troca de acusações entre Eudócia Caldas e Renan Calheiros. O embate chegou à esfera judicial e envolve discussões relacionadas a operações de crédito e questões políticas. O que antes parecia uma relação de plena harmonia transformou-se em mais um capítulo das disputas de poder.
Como toda mãe, Eudócia defende o filho. Afinal, mãe é mãe. Mas a política, muitas vezes, não segue os princípios da convivência familiar. Em diversos casos, filhos seguem os passos dos pais, enquanto em outros são os pais que acompanham os caminhos traçados pelos filhos.
O que se vê com frequência é a perpetuação de grupos familiares na política, com filhos, netos e sobrinhos herdando espaços de poder. Muitas vezes, a discussão sobre projetos, gestão pública e soluções para a população acaba ficando em segundo plano diante da manutenção de sobrenomes tradicionais no comando. E assim, entre aproximações e rompimentos, a política segue seu velho roteiro de tapas e beijos.

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